O registro e a memória ancestral da musicalidade nos terreiros do Sul do Brasil.

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A equipe em visita ao terreiro da Iyalorisa Iza de Ogun, no Alegrete em novembro de 2025.

O projeto Ilú Batá nasce do som que atravessa gerações.
Nasce do couro esticado pelas mãos ancestrais, do eco dos tambores que ensinam antes mesmo da palavra, do ritmo que organiza o corpo, sustenta a memória e reafirma a continuidade de um povo.

Criado no seio da Comunidade Terreira Ilê Àṣẹ Yemọnjá Omi Olodô, dentro do Programa Ori Inú, o projeto surge como um movimento de resgate, preservação e continuidade dos toques sagrados do Batuque do Rio Grande do Sul. Mais do que registrar entrevistas, o Ilú Batá apresenta como gesto de cuidado com aquilo que não pode se perder: os toques, as histórias, os ensinamentos, os nomes, os caminhos percorridos pelos tamboreiros e tamboreiras que sustentam a memória viva da tradição afro-gaúcha.

Cada entrevista realizada é mais do que um registro.
É encontro.
É escuta.
É permanência.

Os tambores guardam memórias antigas. Guardam o som das mãos que ensinaram outras mãos. Guardam os nomes de quem veio antes e seguem ecoando nos corpos de quem continua sustentando essa tradição. Há ensinamentos que não cabem nos livros porque vivem na oralidade, na observação atenta, no convívio comunitário e no tempo paciente do aprendizado dentro do terreiro.

O Ilu ensina pelo corpo, pela repetição e pela presença.

Foi justamente desse movimento que nasceu o Programa Ori Inú : “a cabeça de dentro”. Um programa criado para fortalecer os vínculos entre espiritualidade, cultura, educação, saúde e comunidade. Ori Inú compreende o terreiro como espaço de produção de conhecimento, reconstrução identitária e fortalecimento coletivo diante dos impactos do racismo, do apagamento cultural e da desigualdade produzida historicamente sobre a população negra.

É dessa caminhada que emerge o Ilú Batá, compreendendo o tambor como patrimônio vivo, tecnologia ancestral de comunicação, espiritualidade e transmissão de memória.

A equipe deste primeiro ciclo do projeto foi formada por:

  • Bába Diba de Iyemonjá
  • Ọ̀nà Abyàṣẹ̀
  • Débora Otunolá
  • Leo Òpá Láyò Caobelli
  • Tais De Goes
  • Gabi Martins

O projeto tem financiamento do Pró-Cultura RS, da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), e realização do Ministério da Cultura – Governo Federal.

A equipe em visita ao terreiro da Mãe Eneida de Òsàlà e Rosa Gutherres, em Rio Grande, em novembro de 2025.
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